Eleições de Vale do Sol 2008: o filme
(O original foi publicado na Folha de Vale do Sol e na Gazeta do Sul em dezembro de 2008.)
O caso da recente cassação e conseqüente liminar ganha pelo prefeito eleito em Vale do Sol demonstra os objetivos da trama, que para quem está de fora até pode ser visto como tal, ou drama, ou fantasia cinematográfica. Pode-se chamar o nosso “filme” de “o pingue-pongue”. O tema é o poder, que aliado à ganância por ele, coloca como protagonista um eleitor. Lembremos que nos filmes os protagonistas são manipulados pela trama. E nem é preciso conhecer as circunstâncias para entender que o nosso protagonista é a bola. Mas quem começou “o jogo”?
Voltando ao mundo real, é preciso analisar que uma das mais importantes leis do capitalismo está impregnada no jovem processo democrático brasileiro: a da oferta e da procura (ou demanda). O problema relevante não está na procura, e sim na oferta. Por que cada vez mais gente, descaradamente, compra produtos piratas? Por que cada vez mais jovens caem no obscuro mundo das drogas? Porque a oferta criminosa e sedutora é cada vez maior. No caso dos votos, de quem será a oferta criminosa? Há tempos, uma pesquisa na revista Veja sobre a corrupção demonstrou que apenas 1/3 declarou-se contra a corrupção, ao passo que 1/3 acha a corrupção um fato normal na sociedade brasileira e o outro terço declarara-se indiferente à corrupção. O que impressiona é que apenas 1/3 é contra a corrupção, sobrando um potencial de venda de votos em nosso país de 2/3. Com tanta oferta, quem não será seduzido em comprar?
A questão maior está na imputabilidade da pena. Ora, se a Lei diz que o eleitor que vender o voto pode pegar de um a quatro anos de reclusão, mais multa criminal de
A cultura está longe de ser transformada e engana-se quem pensa que o paradigma está na compra de votos, porque, como vimos no início, a lei da oferta está embasada na própria oferta. Qualquer desembargador, juiz ou promotor que analisar a questão eleitoral em Vale do Sol, deverá primeiro fazer um mergulho na história do município, muito mais adolescente que a democracia brasileira. Ela demonstra claramente duas coisas: a primeira é que um grupo lutou pela emancipação do município e outro não. A segunda, é que o poder no município sempre foi alternado e não foram alguns favores de compadre que fizeram a diferença no resultado das eleições, mas sim a avaliação sobre o mandato anterior. O inusitado é que a eleição de Vale do Sol sempre foi decidida nas urnas e não no “tapetão”, mas, como em todo filme sempre os vilões se dão mal, nesta analogia o resultado não deverá ser diferente.
Rodrigo Ribeiro
Pedagogo – Porto Alegre – RS
(ex- morador de Vale do Sol)
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