terça-feira, 4 de agosto de 2009

Eleições de Vale do Sol 2008 - “o filme” (águas de março – de que ano?) Rodrigo Ribeiro

Eleições de Vale do Sol 2008 - “o filme” (águas de março – de que ano?)
Rodrigo Ribeiro


Desde o ano passado, quando iniciou o processo eleitoral, o povo do “Não” começou a espalhar boatos pela cidade. Mas aí já surge a primeira pergunta duvidosa: por que tanto boato? E vejam, o primeiro boato surgiu antes mesmo das eleições e diz respeito ao candidato que iria ganhar as eleições: “se ele ganhar, não o vamos deixar assumir”. Será que isso já não era angústia ou medo de perder o poder? Por que será?
E enfim as eleições... O “Sim” ganhou novamente... Não restou ao “Não” outra solução a não ser buscar auxílio da Lei, ou da Ordem, mas como vimos em outro artigo, que Ordem? E saiu a tal “Cassação”, depois de um jogo truncado, usando pessoas humildes que sequer sabiam direito o que estavam fazendo.
No jogo Legal, a Justiça é cega, mas mesmo assim continuou-se “fabricar” boatos. E novamente espalharam que não iriam deixar assumir. Primeiro o pessoal do “Sim” obteve a Liminar para ser diplomado e assumir o mandato. O povo do “Não” espalhou que iria embargar a Liminar. Mas ora, por que será que os desembargadores de Porto Alegre não acataram o Pedido de Embargo feito pelo povo do “Não”?
E agora talvez estejam vivendo sua pior fase na triste angústia por retomar o poder: estão usando pessoas humildes, pobres trabalhadores que estão de sol a sol buscando o seu sustento na terra; e chegam a visitá-los em suas propriedades para espalhar os boatos, ou até mesmo “jogando” fofocas nas ruas.
Tanto são fofocas, que o povo do “Não” omite a explicação de que, mesmo sendo confirmada a Cassação em Porto Alegre, cabe Liminar e Recurso no TSE e, mesmo que se confirme a cassação no TSE, é fato jurídico que o candidato que fica em segundo lugar, caso não tenha obtido 50% mais um voto, NÃO PODE ASSUMIR, sem que haja novo processo eleitoral, devido à nulidade dos votos do candidato cassado.
Em municípios pequenos e humildes, há um risco muito grande nesta prática da boataria, porque tal prática vai gerando a ira das pessoas de ambos os lados. Mas aí surge a dúvida derradeira: qual é a vontade de voltar ao poder? Por que tanta ansiedade em deslegitimar uma gestão que foi eleita com mais de 50% dos votos? E ainda, por que jogar uns contra os outros? Amigos não se falam mais, parentes não se visitam mais, a humanidade vai minguando.
Vale do Sol é um Município tão belo, com tanto potencial de desenvolvimento da cidadania, com uma história a ser contada pelos quatro cantos do mundo, que só precisa ainda de uma coisa: que seus moradores e lideranças passem a semear a cultura da paz. Uma cultura que tem nas mãos judiadas pela terra seu maior potencial.
A Lei, a Justiça, a Política, são tão complicadas de serem entendidas que devem ser deixadas para quem nelas deve tramitar, mas a cultura da paz não está na propagação de boatos, intrigas e maledicências. Ela está presente nos atos cotidianos, na vida e na esperança. Ao final deste artigo, cabe um pensamento de Albert Camus e a quem não o conhece, pergunte ou peça a alguém para pesquisar sua história na internet:
“Já se disse que as grandes idéias vêm ao mundo mansamente, como pombas. Talvez, então, se ouvirmos com atenção, escutaremos, em meio ao estrépito de impérios e nações, um discreto bater de asas, o suave acordar da vida e da esperança. Alguns dirão que tal esperança jaz numa nação; outros, num homem. Eu creio, ao contrário, que ela é despertada, revivificada, alimentada por milhões de indivíduos solitários, cujos atos e trabalho, diariamente, negam as fronteiras e as implicações mais cruas da história. Como resultado, brilha por um breve momento a verdade, sempre ameaçada, de que cada e todo homem, (e toda mulher), sobre a base de seus próprios sofrimentos e alegrias, constrói para todos.”
PS: Não estou escrevendo porque quero cargo em Vale do Sol, escrevo porque o esclarecimento é necessário e o que sempre quis foi ajudar o Município do meu coração, sem almejar cargos. Vocês possuem profissionais com tanta capacidade quanto eu.

Pedagogo, especializando em Docência do Ensino Superior
Porto Alegre - RS

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