terça-feira, 4 de agosto de 2009

O que teve a ver a “festa do milho e feijão”, em Vale do Sol, com o “glamour do pé-maroom”?

O que teve a ver a “festa do milho e feijão”, em Vale do Sol, com o “glamour do pé-maroom”?
Rodrigo Ribeiro*

Depois de passar uma década percorrendo cidades do sul do Brasil, pode-se traçar um perfil da movimentação cultural da Região: colonizada pelas mais variadas etnias e culturas, há um folclore em comum, que é o de festejar. E organizam, esperam ansiosos, comungam da mesma verdade comunitária, todos juntos vivenciam com orgulho os motivos do festejo. Isso não muda, apenas se transforma, o que demonstra a perpetuação da cultura de um povo.
Outra questão que costuma ampliar a paisagem dos festejos é o fator meio ambiente, com seus espaços geográficos e condições climáticas variadas nesta Região brasileira. Não é à toa que o povo do Paraná é denominado de “pé-vermelho”. Basta ir a um festejo lá para entender que, com chuva ou sol, o chique está em chegar em casa com os pés cheios de terra vermelha. Tanto que a cidade paranaense de Palmas, com mais de 130 anos, tem um mega evento cultural, com altíssimas premiações para os participantes, denominado de “Festival Pé Vermelho”.
Foi na possibilidade de conferir de perto a Festa do Milho e do Feijão, no último final de semana, em Vale do Sol – RS, que surgiu a inspiração em comentar a respeito. A priori é preciso parabenizar totalmente a iniciativa, tanto da empresa Souza Cruz por realizar um sorteio entre os municípios daquela Região gaúcha para brindar com a concretização do evento, totalmente aberto para a mostra de valores culturais e folclóricos, quanto do prefeito de Vale do Sol, Nelson Michel, pela obstinação em inserir o nome de seu Município no sorteio. Eis que a chuva cheia de esperanças à agricultura, trouxe-me a lembrança de uma festa similar, ocorrida em Braço do Trombudo – SC. Qualquer semelhança com o nome da cidade seria mera coincidência, não fosse sua população ser de cerca de 12 mil habitantes, colonizada basicamente por descendentes de alemães, com a mesma estradinha cheia de curvas brindada pela bela paisagem camponesa valessolense.
Era noite fria - 2008, um chuvisco gelado e a personagem protagonista representaria uma profissional de saúde pública, com os calçados preferencialmente brancos. 10 minutos antes de entrarmos em cena, com o gramado lotado de amigos, conhecidos e desconhecidos e então convoca-se os atores para a concentração final, ela aparece sorridente, cabelos desajeitados e cheios de sereno, o jaleco encharcado e os tênis brancos... completamente marrons. O impulso desesperado de educador foi maior:
- Não, e olha, como tu vai entrá em cena com esse barro nos tênis?
Aluno sempre tem desculpa para tudo, mas a atriz na hora convenceu.
- Calma, psor, sempre chove em dia de festa, se não chover, não tem festa. Senta ali e curte o glamour do pé maroom!
- Pé marrom?
- É psoor, pé maroom. Quem não tem o pé maroom em dia de festa, não tá na festa! Daí ta por foora! Tem que ter o pé maroom!

* Pedagogo, professor de teatro,
especializando em docência do ensino superior
Porto Alegre – RS
rodrigo_cultura@yahoo.com.br

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